A inadimplência no sistema financeiro brasileiro voltou a crescer e atingiu o maior nível dos últimos nove anos. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central do Brasil, 5,5% das operações de crédito concedidas no país estavam com atraso superior a 90 dias no mês de janeiro. Esse indicador representa a taxa de inadimplência do sistema financeiro e aponta o percentual de empréstimos que deixaram de ser pagos dentro do prazo contratado.
O índice registrou aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao mês anterior, configurando o maior nível desde 2017. O crescimento revela um cenário de maior dificuldade para empresas e consumidores honrarem seus compromissos financeiros em um ambiente de crédito cada vez mais caro.
Quando se observa a carteira total de crédito do sistema financeiro nacional — que inclui empréstimos destinados tanto a empresas quanto a famílias — a taxa de inadimplência alcançou 4,2%, também em trajetória de crescimento.
A análise segmentada mostra que a inadimplência das empresas atingiu 2,6% das operações de crédito, enquanto no caso das famílias o índice chegou a 5,2%, demonstrando que o aumento do endividamento atinge diferentes setores da economia.
Outro dado relevante diz respeito ao nível de endividamento das famílias brasileiras. Ao final de 2025, o endividamento correspondia a 49,7% da renda anual, enquanto o comprometimento mensal da renda com pagamento de dívidas atingiu 29,2%. Esses números indicam que uma parcela significativa do orçamento das famílias está comprometida com financiamentos, empréstimos e outras obrigações financeiras.
Crédito cada vez mais caro
O aumento da inadimplência está diretamente relacionado ao custo do crédito no Brasil. No chamado crédito livre destinado às pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu 61% ao ano, após sucessivas elevações ao longo dos últimos meses.
Entre as modalidades que registraram maiores aumentos nas taxas de juros estão o cartão de crédito parcelado, o crédito pessoal não consignado, o financiamento de veículos e o crédito consignado destinado a trabalhadores do setor privado.
Com juros elevados e maior comprometimento da renda, empresas e consumidores enfrentam dificuldades crescentes para manter o pagamento regular de suas obrigações financeiras.
Reflexos para empresas e produtores
Para empresários, produtores rurais e profissionais que dependem de crédito para financiar suas atividades, o cenário exige atenção redobrada. Contratos firmados em momentos de menor custo financeiro podem se tornar excessivamente onerosos quando as condições econômicas se alteram.
Em muitos casos, o aumento dos juros e a pressão sobre o fluxo de caixa tornam inviável a manutenção de determinadas obrigações financeiras nos termos originalmente contratados. Insistir em compromissos que comprometem a sustentabilidade da empresa pode colocar em risco não apenas a atividade empresarial, mas também o patrimônio construído ao longo dos anos.
O ordenamento jurídico brasileiro prevê instrumentos que permitem a renegociação de dívidas, revisão de contratos bancários e reorganização de passivos financeiros, possibilitando que empresas e produtores atravessem períodos de maior instabilidade econômica com maior segurança.
Mais do que simplesmente suportar o peso de dívidas cada vez mais caras, muitas vezes a decisão mais estratégica é reavaliar contratos e buscar soluções jurídicas adequadas para reequilibrar a estrutura financeira do negócio, preservando a continuidade da atividade e a proteção patrimonial.


