Mesmo em um cenário de juros elevados e aumento da inadimplência no sistema financeiro, os três maiores bancos privados do Brasil registraram resultados expressivos em 2025. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil somaram R$ 87,1 bilhões em lucro no ano, resultado 16,4% superior ao registrado em 2024, quando o lucro combinado havia sido de R$ 76,8 bilhões.
Os números mostram que, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador, marcado por crédito mais caro e pressão na inadimplência, o setor bancário manteve forte rentabilidade.
Itaú lidera com lucro recorde
O destaque entre os três bancos foi o Itaú Unibanco, que registrou lucro de R$ 46,8 bilhões em 2025, consolidando-se mais uma vez como o banco privado mais lucrativo do país.
O resultado foi tão expressivo que superou, sozinho, o lucro combinado de seus dois principais concorrentes no período. Além disso, o banco apresentou retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 23,4%, indicador que mede a rentabilidade em relação ao capital investido pelos acionistas.
Esse desempenho reforça a posição de liderança da instituição no sistema financeiro brasileiro.
Bradesco apresenta maior crescimento
Embora o lucro absoluto tenha sido menor que o do Itaú, foi o Bradesco que apresentou a maior taxa de crescimento entre os grandes bancos.
A instituição registrou lucro de R$ 24,6 bilhões em 2025, um avanço de 26,1% em relação ao ano anterior. O banco também conseguiu melhorar significativamente sua rentabilidade, elevando o ROE de 11,7% para 14,8%.
O resultado indica avanço no processo de recuperação do banco, que vinha enfrentando desafios nos últimos anos, especialmente relacionados ao aumento da inadimplência.
Santander cresce em ritmo mais moderado
O Santander Brasil apresentou crescimento mais moderado em comparação aos concorrentes. O banco registrou lucro de R$ 15,6 bilhões em 2025, alta de 12,6% em relação a 2024.
A rentabilidade da instituição permaneceu praticamente estável, com ROE de 17,6%. Apesar do crescimento, o mercado demonstrou preocupação com a qualidade dos ativos do banco e com o avanço da inadimplência em sua carteira.
Crédito e inadimplência
Durante 2025, os bancos adotaram uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, reflexo do ambiente de juros elevados e do aumento da inadimplência no país.
Mesmo assim, a carteira de crédito das instituições continuou em expansão, principalmente em segmentos considerados menos arriscados.
Entre os três grandes bancos privados, apenas o Itaú Unibanco conseguiu reduzir a taxa de inadimplência em operações com atraso superior a 90 dias, que passou de 2,0% para 1,9% ao longo do ano.
No caso do Santander Brasil, o indicador subiu de 3,2% para 3,7%, enquanto o Bradesco registrou a maior taxa entre os três, 4,1%, ligeiramente acima dos 4,0% observados no ano anterior.
Diante desse cenário, os bancos continuaram ampliando as chamadas provisões para perdas, reservas financeiras destinadas a cobrir possíveis inadimplências futuras.
Expectativa em relação ao Banco do Brasil
Outro ponto que chama atenção no mercado financeiro é o desempenho do Banco do Brasil, que enfrentou pressões ao longo do último ano devido ao aumento das provisões e da inadimplência, especialmente no setor rural.
O mercado acompanha com expectativa a divulgação dos resultados da instituição para entender de que forma esses fatores impactaram o desempenho do banco ao longo de 2025.
Um cenário que exige atenção
Os números mostram que, mesmo diante de um ambiente econômico mais difícil para empresas e consumidores, o sistema bancário brasileiro mantém elevados níveis de rentabilidade.
Esse cenário reforça a importância de empresários e produtores rurais analisarem com cautela suas estruturas de crédito e endividamento. Em momentos de juros elevados e maior pressão financeira, a gestão estratégica das dívidas se torna um fator decisivo para a preservação da atividade econômica e do patrimônio.
Romão Men Advogados
Advocacia estratégica voltada à proteção patrimonial, negociação de dívidas e reestruturação financeira.


